Thais, Londres e poesia!

Conheci a Thais em 2012, quando Londres ainda nao tinha muito sentido pra mim.

Ficamos amigas na velocidade da luz, rapido e intenso, uma salvava a outra de algumas dores. Na época havia perdido meu pai ha alguns meses e vi nela um ombro amigo!!

Eu e meu marido adotamos ela pra vida, mas infelizmente ela teve que voltar para o Brasil.

5 anos depois, e depois de muitos desentendimentos, como todo relacionamento a distancia tem, ela voltou pra Londres.

E como nem tudo sao flores, brigamos mais uma vez e ficamos quase 7 meses sem nos falarmos. Aquele sofrimento que so quem teve uma melhor amiga entenderia!!!

Dia 23 de dezembro, quando sentamos pra conversar e colocar uma pedra no que passou e recomeçar, ela me contou que estava indo embora, mais uma vez!!!

Acho que podem imaginar o quao dolorido foi, outra vez, ter uma amiga indo embora!

Em pouco menos de 2 semanas conseguimos retomar o que havia sido perdido em meses, e foi o inicio de um novo ciclo, mais leve e com mais amor e respeito.

Pra fechar com chave de ouro essa fase dela em Londres, eu dei de presente uma sessão de fotos pra que ela sempre tenha uma doce lembrança do seu lugar favorito no mundo!!!


Deixo pra voces o texto que ela escreveu no avião, vendo Londres do alto!

E um pouco do sentimento em forma de poesia, eternizada em fotos!

14 de janeiro de 2018,

7:16h da manhã,

No voo de Londres a Lisboa

Londres,

Estou indo sem querer ir!

De acordo com as leis que os homens inventaram eu não estou nos padrões de cidadã britânica, portanto não posso permanecer aqui!

Acho injusto! Os homens são injustos!

Apenas a minha enorme vontade de ficar não foi suficiente para que eu conseguisse esse feito.

Londres,

Meu caso de amor com você é antigo, e eu sei que você sabe disso, às vezes até sente muito por mim, mas não pode fazer nada...

Desde 2012 nunca estive tão à vontade em um lugar como estive quando estive aí!

Fiquei à vontade aí porque estava à vontade em mim!

Confortável dentro do meu próprio corpo dentro dos meus próprios sonhos dentro dos seus braços cheios de amor e de histórias e das energias mais incríveis e vibrantes que já senti!

Quando o avião levantou voo, vi, talvez pela última vez, as suas luzes e todo o amor que deixo aí, vi também essa grande parte de mim e do que me tornei no último ano e esboço do que vou me tornar nos próximos suspiros.

Não é fácil te deixar, Londres!

Uma vez alguém me disse: “London suits you”, e é isso que sinto!

É como se pela primeira vez em muito tempo eu tivesse a sensação de pertencimento!

Como se a primeira vez em muito tempo, meus olhos se surpreendessem facilmente com coisas simples como as luzes de natal decorando os cafés em pleno verão, ou como todas as cores que essa cidade tem quando está cinza e é inverno,

Como se a primeira vez em muito tempo eu me sentisse viva por mais exausta que estivesse, e voltasse a fazer planos e a ter sonhos...

Eu pertenço à você minha querida Londres, mas não posso pertencer!

Eu pertenço às cores dos seus céus que mesmo sem estrelas formam paisagens deslumbrantes de quem tem um minutinho do dia para apreciar!

Eu pertenço à calmaria que toda a sua agitação me causa!

Eu pertenço às estações de trem e aos cafés espalhados pela cidade toda!

Eu pertenço às mais diversas cervejas de todos os pubs tradicionais e excêntricos!

Eu pertenço à todas as línguas do mundo que podemos escutar pelas suas ruas!

Eu pertenço às músicas que ouvi, eu pertenço aos sabores e pertenço principalmente à intimidade que tive com Deus desde que cheguei aí!

Não sei para onde vou e como vou preencher de vida esse vazio que fica, pois desde que o avião subiu o suficiente para que eu não te visse mais, eu já estava morrendo de saudades!